Sortes e amuletos: como os japoneses fazem pedidos e se protegem

27.12.2019

 

Supersticiosos, os japoneses também têm suas figas e bate-na-madeira, pé de pato, mangalô três vezes... Nos templos e santuários, tem de tudo, aliás. Alguns, você nem deve levar pra casa,  outros você coloca na carteira ou pendura no carro... O importante é fechar todas as portas de entrada para o mal. Conheça as sortes e amuletos que aparecem nos templos e santuários japoneses.

 

o-mikuji

(おみくじ)

 O-mikuji num dos templos budistas Patrimônio

da Humanidade em Hiraizumi, província de Miyagi.

 

São panfletos da sorte retirados nos templos. Em geral, custam 100 ienes, cerca de 1 dólar. Existem várias formas de retirar o o-mikuji. Em alguns templos, eles são sorteados através de varetas que ficam dentro de uma caixa cilíndrica de metal ou madeira. Em outros, o papel com a sorte é retirado diretamente de uma caixa ou gaveta. Independente do formato, as previsões escritas no panfleto variam do daikichi (大吉/sorte grande) até o daikyō (大凶/grande malogro). Se a sorte não for boa, você nem precisa levar pra casa. Sabe aquela história do "tá amarrado"? Cabe bem nessa situação. A pessoal sem sorte deve dobrar bem o papelzinho e amarrar num dos varais destinados a este fim. Assim, as predições ruins ficam ali mesmo no templo.

 

ema

(絵馬)

Ema por um parto seguro do Santuário Katori em Katsushika, Tóquio

 

Onipresentes nos templos e santuários, as placas feitas de madeira usadas pelos fiéis para escreverem seus pedidos são chamadas de ema (pronuncie dando ênfase igual às duas sílabas). O nome ema em japonês é escrito com os caracteres de ‘figura’ e ‘cavalo’. Isso porque, no passado, os fiéis costumavam oferecer cavalos aos templos como moeda de troca para ter pedidos atendidos. Acontece que em épocas mais magras, doar um cavalo inteiro ficava muito salgado e, aos poucos, o povo começou a substituir o bicho por representações dele. Inicialmente, foram oferecidos cavalos de papel e, depois, placas com desenhos do bicho.

 

Cada templo tem placas com temas diferentes, de acordo com sua história ou tradição. Além disso, no início do ano, os ema costumam trazer, também, a imagem do animal do horóscopo chinês que regerá o novo ciclo. Cada placa custa por volta de ¥500 e, depois de escrito o pedido, o ema deve ser colocado numa espécie de mural para que os deuses ‘recolham’ os pedidos.

 

o-mamori

(お守り)

O-mamori é um amuleto que oferece proteção e deve ser carregado com o fiel. Na forma atual, ele é apresentado dentro de uma bolsinha feita de seda e bordada com palavras sagradas ou com o objetivo pelo qual ele foi adquirido. Dentro da bolsinha, podem vir pedaços de papel ou de madeira, em geral com uma oração. Não se deve abrir a bolsinha e retirar o conteúdo. O o-mamori é feito para ser usado da maneira em que foi comprado.

 

Cada amuleto tem um propósito. Alguns exemplos: segurança no trânsito, proteção contra o mal, sucesso nos negócios ou em provas e exames. Do mesmo modo que ocorre com outros amuletos, o o-mamori que já foi usado deve ser devolvido em um templo ou santuário.

 

Versões mais modernas incluem feito em papel cartão e que tem o formato de um chip. Esse o-mamori da era digital pode ser encontrado no Kanda Myojin, um santuário xintoísta próximo de Akihabara, a região queridinha dos otaku (os nerds japoneses). Serve, claro, para proteger seus aparelhos digitais dos males da pós-modernidade.

 

o-fuda

(お札)

O-fuda provavelmente perdido nos espaços sagrados de Osorezan em Mutsu, província de Aomori.

 

São amuletos feitos para serem usados em casa. Seu propósito é a proteção da residência e da família contra males como doenças, assaltos, problemas econômicos e outros. Podem ser feitos de papel, madeira, tecido ou metal e, em geral, vem com o nome de uma divindade ou do santuário onde ele foi adquirido.

 

Compartilhe no Facebook
Compartilhe no Twitter
Please reload

Notícias Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags
RSS Feed