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A Família Imperial é um microcosmo da sociedade Japonesa

22.12.2017

 

Em agosto de 2016, o imperador japonês Akihito se dirigiu à nação pela TV. Era a segunda vez em seus então 27 anos de reinado que Sua Majestade falava diretamente ao povo na televisão. Com expressão serena, o monarca discursou sobre sua idade avançada, as condições de sua saúde e disse, ainda, estar refletindo sobre seu "papel" e "obrigações" daquele momento em diante. Sem usar nenhuma vez a palavra abdicação, o Imperador Akihito deu um sinal claro de que gostaria de discutir sua renúncia ao trono. Já no dia seguinte ao pronunciamento, os japoneses mostraram seu apoio ao monarca. Os súditos entenderam que o imperador tinha o direito de descansar.

 

Não foi a primeira vez que a Família Imperial e o trono japonês estiveram no centro do debate público nos últimos anos. Em 2005, o país discutia a possibilidade de reformar a Lei de Sucessão Imperial para que fosse permitida a ascensão ao trono de uma mulher. Naquele momento, o Príncipe-herdeiro Naruhito tem apenas uma filha, a Princesa Aiko. Com a gravidez da Princesa Kiko — esposa do Príncipe Akishino, segundo filho mais velho do imperador — as discussões foram suspensas. Meses depois, o nascimento do Príncipe Hisahito enterrou de vez a história. A linhagem masculina do trono estava garantida.

 

Em setembro deste ano, a Princesa Mako — neta mais velha do imperador e filha do segundo na linha sucessória ao trono  — anunciou seu noivado. A data do casamento ainda não foi anunciada mas todos sabem que a princesa deixará de fazer parte da Família imperial depois de casada, de acordo com a lei. Formada em Artes e Patrimônio Cultural, pós-graduada em Museologia, a Princesa Mako também é fluente em inglês, em alemão e na língua japonesa de sinais. Desde 2011, quando recebeu a Ordem da Coroa Preciosa, a princesa vem aparecendo em eventos especial e, inclusive, participou de visitas oficiais na América Central, no Paraguai e no Butão. Em outras palavras, sua saída da Família Imperial significa, também, a perda de um membro altamente qualificado numa realeza já diminuta.

 

No próximo dia 23, o Imperador Akihito faz 84 anos. Depois de meses de discussões, a data de sua abdicação também já foi decidida: 30 de abril de 2019. A ascensão ao trono de seu filho, marcará o início de uma nova era. Mas algumas questões antigas talvez ainda não estejam definidas. Não é preciso ser um observador atento para compreender que as dificuldades vividas pela realeza japonesa não são muito diferentes das problemáticas da nação como um todo.

 

Atualmente, a Família Imperial Japonesa tem 19 membros. Onze deles estão acima dos 50 anos de idade; sete, acima dos 60. Catorze são mulheres. Dentre aqueles que têm menos de 40 anos, apenas um é do sexo masculino, o Príncipe Hisahito, terceiro na linha sucessória. Em outras palavras, mesmo que todos os mais jovens tenham filhos, somente os do príncipe serão considerados parte da realeza. Envelhecimento, baixa natalidade e a posição da mulher são questões urgentes para a sobrevivência da Família Imperial. Do mesmo modo que são para a sociedade japonesa como um todo.

 

Discussões sobre abdicação e ascensão ao trono, anúncio de noivado: 2017 foi um ano em que a discreta realeza do Japão viu muita coisa acontecer. No entanto, pequenas mudanças à parte, neste 84° do Imperador Akihito, a Família Imperial mais que nunca pode ser entendida como um microcosmo da sociedade japonesa.

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