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Documentário mostra os dois lados de disputa por ilhotas no Mar do Japão

07.03.2018

 

São menos que 190 metros quadrados, o equivalente a 26 campos de futebol. Sem grama. Na verdade, basicamente formado por rochas. Assim são os Rochedos de Liancourt. Dokdo para os coreanos; Takeshima para os japoneses. Os Rochedos de Liancourt são formados por duas ilhotas e quase uma centena de rochedos e recifes a uma distância de quase 217 km da costa sul-coreana e 211 km da costa japonesa.

 

Administrada oficialmente por Seul desde 1952, a área é reivindicada pelos dois países com base em diferentes interpretações de documentos históricos. O diminuto arquipélago é um dos muitos pontos do imbroglio que envolve o Japão e a Coreia do Sul e o pano de fundo do documentário 'This Island is Ours' do diretor Nils Clauss.

 

Baseado em Seul a mais de uma década, Clauss conta que a ideia das ilhas como território nacional é "onipresente" na sociedade coreana e chega a ser ensinada às crianças desde o jardim de infância.  "Como a Coreia foi colonizada pelo Japão por quase quatro décadas, a maioria dos coreanos de hoje são extremamente sensíveis a esta questão e tem forte sentimento nacionalista acerca dela", explica ele, em material distribuído à imprensa.

 

"Antes de começar a trabalhar neste filme, eu achava que este nacionalismo era meio excessivo e, como reação, provavelmente cheguei a, lá no fundo, apoiar o lado japonês", diz Clauss.

 

Tudo mudou quando o diretor veio ao Japão para filmar um de seus protagonistas, o ativista sul-coreano Jaeik Choi. Na sequência, uma das mais impactantes do filme, Choi desembarca no Japão, acompanhado apenas de um companheiro, para protestar durante o Dia de Takeshima. A efeméride que cai no dia 22 de fevereiro foi criada pela província de Shimane, no oeste japonês, como forma de manter viva a ideia das ilhas como parte do território do país. Aliás, o filme mostra que, em diversas ocasiões durante sua visita, Choi é cercado por nacionalistas japoneses que o insultam em japonês e coreano. Clauss revela que, ao registrar a experiência, sua visão sobre o modo como os coreanos encaram a questão de Liancourt mudou completamente.

 

Os confrontos diretos, no entanto, não são parte predominante na película. O filme é centrado em dois personagens: Choi e a japonesa Mariko Kajitani. Ele, além de ativista, é faz-tudo no jardim de infância de propriedade da esposa. A mulher é quem custeia o ativismo do marido. "Estou sobrecarregando a minha mulher e sempre me sinto culpado por isso", conta ele já começo da obra. Kajitani, por sua vez, é uma dona de casa e herdou do marido a posição de destaque na defesa do direito territorial dos japoneses sobre Takeshima. Nenhum dos dois é político no sentido tradicional do termo. Consideram-se cidadãos com uma causa. E as semelhanças não param por aí. 

 

"Apesar de terem origens, pontos de vista e meios de expressão diferentes, os dois lados têm muito em comum. Na verdade, eles têm mais similaridades que diferenças", explica o diretor que também é o editor do filme e trabalhou com uma montagem em que as histórias seguem em paralelo. Para o diretor, as semelhanças entre os lados opostos são o maior desafio na contenda. "Ironicamente, é justamente por conta dessas similaridades que um acordo ou ajuste é um tanto quanto difícil de ser firmado", diz o diretor.

 

Tendo vivido no Japão e na Coreia do Sul, Nils Clauss tem uma visão privilegiada do conflito e consegue, no documentário, deixar que as partes atuem sem se posicionar de um lado ou de outro. Este é, sem dúvida, o maior mérito de 'The Island is Ours'.

 

 02:16 | Trailer de 'The Island Is Ours'

 

The Island is Ours

(Nova Zelândia/Coreia do Sul, 2016)

documentário/54 min

línguas: coreano e japonês/legendas em inglês

direção: Nils Clauss

www.thisiscontented.com

 

 

 

 

 

 

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