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Kumano Kodo: fé e natureza nas montanhas

05.03.2018

 

Kii é a maior península do Japão e guarda também uma rede de caminhos de peregrinação cujos registros datam do século 11. Conhecidas como Kumano Kodo, essas rotas nas montanhas englobam três províncias — Mie, Wakayama e Nara — e interligam três grandes santuários sagrados do xintoísmo: Kumano Hayatama Taisha, Kumano Hongu Taisha e Kumano Nachi Taisha.

 

Os templos — conhecidos como Kumano Sanzan  — e as rotas de peregrinação, incluindo o trajeto dentro do Rio Kumano, foram tombadas como Patrimônio do Humanidade pela UNESCO em 2004 e atraem turistas do mundo todo em busca de uma experiência de fé e do contato com a natureza.

 

Para muitos turistas e visitantes, o ponto de entrada das rotas sagradas da Península de Kii é a estação de Shingu, linha Kisei da JR West, a qual fica à beira-mar e bem próxima da foz do Rio Kumano. Há poucos minutos dela ficam o Kumano Hayatama Taisha e o Kamikura Jinja, dois dos espaços mais sagrados da região.

 

O Monte Kamikura é o palco de um dos mais impressionantes festivais do fogo do Japão, o Oto Matsuri. Realizado anualmente no dia 6 de fevereiro, o evento é parte das comemorações do início do ano e é um ritual de purificação. Para a preparação, os participantes ficam alguns dias se alimentando apenas de comidas de cor clara como tofu e salsichas de peixe. No dia do festival, eles se banham nas águas do mar e vestem roupas brancas amarradas com cordas e carregam tochas com pedidos de graças escritos até o alto da montanha. Lá, acendem uma chama que se alastra morro abaixo. Segundo a crenca local, a fumaça gerada pelo fogo leva até os deuses os pedidos dos fiéis.

A cerca de 10 minutos da entrada do Monte Kamikura fica o Kumano Hayatama Taisha (Grande Santuário Kumano Hayatama). As ruas estreitas do trajeto entre os dois santuários revelam antigas e charmosas residências e espaços sagrados menores. O prédio principal do Hayatama Taisha é um belo e bem conservado complexo branco e avermelhado. Nos limites do santuário ficam ainda uma reserva de floresta e uma árvore de mais de 800 anos considerada sagrada pelos fiéis. No início do ano, é comum os vendedores oferecerem na entrada as dulcíssimas tangerinas de Wakayama.

 

Florestas e águas termais
Vale adentro, nas margens do Rio Kumano, ficam três estâncias de águas termais que costumam ser o ponto de paragem para os turistas e peregrinos em visita à região. Uma delas é Kawayu Onsen, uma vila cortada pelo Rio Oto e basicamente dedicada ao turismo. Pousadas e hotéis dominam a paisagem em uma margem do rio. Na outra, a floresta nativa de cedros e outras árvores de grande porte.

O leito do rio é relativamente seco e, numa simples escavação feita a mão, revela ser uma fonte de águas termais. No inverno, época em que a água termal subterrânea é mais abundante, a vila abre o Sennin-burô, um banho a céu aberto gratuito dentro do leito do rio.

 

 

Menos de cinco quilômetros adiante no vale fica a mais famosa estância de águas termais da região, Yunomine Onsen. Por aqui passa uma das mais acessadas rotas do Kumano Kodo e o local se consagrou não apenas como ponto de descanso para os peregrinos mas, também, por rituais sagrados com águas termais.

 

No charmoso vilarejo fica o Tsuboyu, considerado o mais antigo estabelecimento de águas termais do Japão ainda em atividade. A casinhola de madeira construída num riacho cheio de fontes de água quente é parte do complexo considerado pela UNESCO como Patrimônio Histórico da Humanidade. Por um valor de ¥770 por pessoa, o Tsuboyu pode ser usado, individualmente ou em grupo, por até 30 minutos.

 

 

O ofurô construído na pedra é ideal para duas pessoas adultas e o cômodo é completamente fechado, pelo menos no inverno. Para evitar longa espera, o ideal é fazer a reserva do Tsuboyu na chegada à vila, na entrada da casa de banhos pública que fica bem em frente ao ponto de ônibus.

 

Yunomine Onsen é a porta do Kumano Kodo para muitos viajantes que partem dali em direção ao Kumano Hongu Taisha, outro dos três grandes santuários. A rota tem pouco mais de 3 km, cruzando a mata montanha a cima, até descer no vale do Rio Kumano. Bem sinalizado, o caminho não tem escalada mas pode assustar os iniciantes. Num ritmo médio, é possivel vencer a distância até o santuário em cerca de uma hora e meia.

 

Divindades em forma de lua
O Kumano Hongu Taisha (Grande Santuário Kumano Hongu) é o ponto final de todas as vertentes do Kumano Kodo. Já bem próximo à chegada é possível ver um gigantesco portal torii que fica bem na margem do rio, num local conhecido como Oyunohara. Conta a lenda que três divindades em forma de lua escolheram um carvalho existente no local como residência e, por isso, foi construído ali um santuário em devoção a elas.

 

No entanto, no ano de 1889, depois de diversos incêndios e inundações, o Hongu Taisha foi reconstruído no alto de uma colina próxima. Nos antigos precintos, foi construído, no 2000, um portal torii gigante que é considerado o maior do mundo com 33,9 metros de altura e 42 metros de comprimento. O portal recebe iluminação especial no Ano Novo, no Festival da Primavera e no Yata-no-hi Matsuri, realizado em agosto com queimas-de-fogo, procissão e apresentações de tambores japoneses.

 

Aparentemente austero com sua coloração amarronzada, o Kumano Hongu Taisha é um dos mais interessantes exemplares da arquitetura sacra japonesa. A construção é feita basicamente de materiais crus, o que faz com que os prédios se mimetizem no ambiente natural que os circunda, e praticamente não tem pregos. Reforçando a integração com a natureza, teto é feito de cedro japonês, uma das cinco árvores sagradas do xintoísmo, retirado das florestas da região.

 

Na tradição do Kumano Kodo, os peregrinos desciam do Hongu Taisha para o Hatayama Taisha de barco, pelo Rio Kumano. Aliás, o caminho pelo rio faz parte da rota de peregrinação tombada pela UNESCO. Pequenos barcos com turistas fazem o trajeto duas vezes ao dia, às 10 da manhã e às 2 e meia da tarde durante os meses de março a novembro. No restante do ano, os passeios rolam caso haja um grupo com mais de 6 pessoas. O passeio dura 1 hora e meia e custa ¥3900 (adultos) e ¥ 2000 (de 4 a 11 anos). Crianças com menos de 4 anos não podem embarcar.

 

Cachoeira Sagrada
Localizado no topo do Monte Nachi, o Kumano Nachi Taisha pode ser acessado por linhas regulares de ônibus e veículos particulares. No entanto, muitos dos visitantes preferem ir a pé pelo Daimonzaka, uma rota de um quilômetro que compreende uma escadaria de 600 metros e 267 degraus de pedra entre cedros, canforeiros e bambus. A subida é relativamente tranquila e pode levar entre 30 e 40 minutos, num bom ritmo.

 

O origem do santuário está ligada à Nachi-no-taki, uma queda d’água com 133 de metros de altura e 13 metros de comprimento, a mais alta do Japão. Há séculos os fiéis acreditam que cachoeira em si é uma divindade. Os monges ascetas também usam a cachoeira para as suas práticas, dentre elas o shugendo que é budista mas recebe influência do xintoísmo e do taoísmo.

 

O Nachi Taisha organiza o Nachi-no-hi Matsuri, considerado o terceiro maior festival de fogo do Japão. Doze mikoshi de 6 metros de altura decorados com ventoinhas e espelhos representam a Nachi-no-taki e 12 grandes tochas, com mais de 50 kg cada, são levadas em procissão até a cachoeira. O festival é realizado anualmente no dia 14 de julho e pode ser um excelente gran finale para uma viagem mística por uma das mais belas rotas de peregrinação do Japão.

 

 

 

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