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Quem é Yuzuru Hanyu, o herói japonês nas Olimpíadas de Inverno?

18.02.2018

 

Japoneses, como todos nós, adoram heróis. E numa cultura que valoriza o sacrifício, quanto mais perrengue alguém passa, melhor. “Gambare” (‘dê tudo de si’), "akiramenaide" (‘não desista’) são expressões correntes entre os japoneses. A primeira, por exemplo, serve para qualquer coisa, da mais hercúlea tarefa até o trabalho nosso de cada dia. Na época do Grande Terremoto de 2011, por exemplo, "gambare, Nippon" (força, Japão!) era a palavra de ordem na reconstrução das áreas atingidas pelo tsunami. Para quem vem de fora, a expressão parece ser capaz de transformar qualquer esforço numa verdadeira epopeia. Imagina, então, quando a coisa é realmente algo que requer muito mais, como um ouro Olímpico...

 

Yuzuru Hanyu parou o país, pelo menos por alguns minutos, nas tardes de sexta e sábado da última semana. O patinador artístico venceu a sua segunda medalha de ouro olímpica consecutiva, um feito não alcançado há 66 anos nos esportes de inverno. Isso depois de ter sofrido uma lesão que deixou o país inteiro apreensivo no ano passado. Tensão que o patinador não demonstrou em nenhum momento. Em atitude pouco comum dentre atletas japoneses, Hanyu aparentou confiança e segurança para o seu público e saiu o ovacionado pela arena nas duas apresentações em Pyeongchang. Aos 23 anos de idade, o atleta estabeleceu recordes e venceu os mais importantes prêmios e campeonatos de patinação artística. Não é à toa que os japoneses estão cada vez mais apaixonados por ele.

 

Yuzuru Hanyu é de Sendai, na província de Miyagi, a capital mais atingida pelo tsunami que devastou a costa nordeste do país em 2011. A casa de sua família, aliás, foi umas das milhares que sofreu danos por conta do terremoto. Yuzuru não é um nome muito comum no Japão e o significado faz uma relação com o kyudo, arco-e-flecha, um dos esportes tradicionais do Japão. “Meu desejo é que ele seja honrado com uma corda ajustada ao seu arco”, disse o pai do atleta sobre a escolha do nome do filho.

 

Hanyu começou a patinar com 4 anos de idade, seguindo os passos de sua irmã mais velha. A família tinha uma pequena pista em casa que era usada para os treinos. O moço começou a competir em 2004 e aos 10 anos ganhou sua primeira medalha de ouro, numa competição nacional para iniciantes. A partir daí, o atleta foi subindo de categoria aos poucos, obtendo quase sempre bons resultados. 

 

Em 2010, Hanyu fez sua estreia numa competição internacional, levando o título do Campeonato Mundial Júnior de Patinação Artística no Gelo. Até o momento, ele é o mais jovem japonês a vencer o título. A partir de 2012, antes mesmo de completar 18 anos, o rapaz começou a dar as cartas na patinação artística internacional, acumulando altas pontuações e recordes que redefiniram os padrões da modalidade. Foram 12 recordes estabelecidos em sua carreira adulta, 17 vitórias em competições internacionais e uma legião de fãs que ultrapassa os limites do arquipélago japonês. Todos apaixonados por seus movimentos precisos e graciosos nas pistas.

 

Mas não é só isso. Com seu rosto de menino e simpatia aparentemente sem fim, Hanyu também encarna um estilo que é popular, em especial entre as jovens japonesas: o kawaii. A palavra, que pode ser traduzida como ‘fofo’ ou ‘bonitinho’, tem um significado ainda mais profundo em japonês. Representa uma certa docilidade infantil combinada com inocência e pureza de caráter. Apaixonado pelo personagem Pooh, o patinador é conhecido por carregar consigo um ursinho de pelúcia durante as viagens. O bichinho costuma ser visto no banco em várias das competições internacionais que Hanyu. Sabendo disso, suas fãs atiram à pista dezenas de Pooh de pelúcia ao final de cada uma de suas apresentações. A catarse faz a gente chegar a uma péssima comparação: Hanyu seria uma espécie de Wando nipônico sem, claro, o componente sexual. Aliás, pouco se sabe sobre a vida privada do patinador a não ser a parte em que ele nega estar se encontrando ou tendo um relacionamento com alguém.

 

Todo esse efeito kawaii, aliado ao seu talento indescritível como competidor, transformou Yuzuru Hanyu num dos atletas japoneses mais queridos da atualidade. Certamente, ele é uma das poucas pessoas  capazes de fazer quase sempre agitados japoneses pararem na frente de um televisor no meio da rua ou durante o expediente. Num país meio blasé com relação a quase tudo, isso é um feito e tanto.

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