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Nostalgia e malhação na exposição do Space Invaders em Tóquio

16.01.2018

 

Eu não era um moleque muito ligado em games. Quer dizer, eu não tinha acesso aos joguinhos, coisa de criança de família muito pobre e tal. Mas qualquer boteco de esquina tinha um fliperama. Não era todo dia que dava para arrancar da mãe uma moedinha mas, quando conseguia, me lembro de ir correndo atrás de um fliper para jogar Space Invaders.  Por isso, não tive dúvidas em pegar meus quilos de nostalgia e carregar até o Tokyo City View, no Roppongi Hills em Tóquio, para ver a exposição Play! Space Invaders que conta a história de um dos jogos mais populares dos anos 1980 e, claro, traz novidades para os fãs das antigas e para a galerinha mais nova.

 

Criado pela japonesa Taito em 1978, Space Invaders foi um sucesso imediato. O game tinha uma jogabilidade ótima para a época e trouxe um conceito novo até então que era o de fazer cada sessão durar não por um tempo determinado mas, sim, pela habilidade do jogador.  Em outras palavras, aquela coisa que irritava a gente ao ponto de querer socar um cabra só porque ele jogava muito — e fazia a fila crescer monstruosamente atrás dele — era uma revolução no mundo dos games.

Space Invaders Frenzy: pais e filhos visitaram juntos a exposição.

 

Para quem ainda está perdido no movimento, Space Invaders é um jogo simples. Na parte inferior da tela, a gente controla um canhão com possibilidade ilimitada de tiros. A missão é destruir alienígenas invasores que deveriam ser parecidos com polvos mas que lembram mais siris. Os inimigos vão caindo na direção do canhão e é preciso acabar com eles antes que desabem em cima de você. Com o tempo, o jogo foi ganhando mais requinte, claro. Mas a premissa básica era mais ou menos a mesma.

 

Quarenta anos depois, estamos falando de realidade virtual, gráficos ultrarrealistas e games que estimulam a atividade física. Por isso, não é de se estranhar que Play! Space Invaders tenha se focado em trazer o jogo para atualidade sem se esquecer, é claro, de aguçar a memória dos mais nostálgicos. Dentre pequenas pílulas históricas, todas somente em japonês, ficam novas versões do game, pensadas especialmente para a exposição, e antigas encarnações. Tudo disponível para a interação, exceto a máquina da entrada, aparentemente original.

 

Escalada e dança

Noborinvaders, por exemplo, é um boulder e o jogador precisa se manter agarrado às pedras da parede de escalada enquanto acerta com a parte do corpo que der os pobres dos invasores. Honestamente, cheguei a pular a instalação. Jogar a parada com 124 quilos de corpo não é para amadores. Manter a dignidade, então… Mas, imbuído de responsabilidade jornalística, fui para a fila, para o espanto dos demais visitantes magrinhos. Apesar das dores musculares que se apossam do meu corpo mesmo depois de 24 horas, me sinto orgulhoso de ter ficado entre os 35 melhores jogadores do dia.

 

0:33 | Algumas das atrações da exposição. 

 

A glória, mesmo, viria na próxima atração que simula uma boate psicodélica. Bahamut Disco é uma atração de realidade virtual da Square Enix em que o jogador interage com projeções nas paredes de uma sala escura ao som de música eletrônica. Bahamut Disco vs. Space Invaders é uma criação colaborativa entre as duas empresas na qual quem joga usa um controlador para atingir os invasores projetados na parede. É um exercício pesado que exige ginga. O tiozão aqui disputou com duas mocinhas e ganhou de lavada, mesmo tendo saído quase que carregado. Dance como se não houvesse amanhã, né não?

 

Outras atrações são o Arkinvaders, em que você usa os pés para atingir bolas virtuais no chão e destruir os invasores; e o Space Invaders Frenzy, um jogo de duplas em que metralhadoras a laser são usadas para exterminar os alienígenas numa tela de LED. Mas a exposição gira em torno do Space Invaders Gigamax, com dez jogadores enfrentando juntos os inimigos. Esta encarnação gigantesca aparece em duas versões: numa super tela e projetada nas imensas paredes de vidro do Tokyo City View. A segunda versão é vendida como o grande destaque da exposição e, como tal, é a atração mais concorrida depois que anoitece. Não deixa de ser bacana, claro. Mas é aquele tipo de coisa que fica melhor no mundo das ideias do que na prática.

 

0:51 | Space Invaders Gigamax 

 

No fundo, a melhor parte de Play! Space Invaders aparece só no finalzinho, no café que fica no mesmo espaço do Gigamax em tela. São as seis versões do jogo original em mesas, com joystick e botãozinho. É sentar e jogar, sem o limite do número de moedas. (Com bom senso, claro, para não monopolizar a máquina e ser odiado pelos coleguinhas.) Sim, é muito legal e saudável que os jogos de hoje estimulem a gente a se exercitar, a se movimentar. Aliás, ando precisando muito disso. Mas mexer naquelas preciosidades trouxe à tona memórias já empoeiradas de uma época em que uma moeda e uma máquina duas ou três vezes maior que ela eram suficientes para fazer a alegria de uma criança.

 

SERVIÇO

Play! Space Invaders

exposição interativa

até o dia 31 de janeiro, de 10 às 22 horas

Tokyo City View, 52º andar do Roppongi Hills

¥1800 (adultos), ¥1500 (acima de 65 anos), ¥1200 (estudantes do Ensino Médio à universidade), ¥600 (estudantes até o Ensino Fundamental)

 

 

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