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Devilman Crybaby tem tudo para ser a melhor atração japonesa da Netflix em 2018

13.01.2018

Adaptações audiovisuais de obras literárias de sucesso podem ser vistas por diversos prismas. Um deles é o dos fãs dos originais, que já conhecem bem o enredo e os personagens, e querem ver como tudo aquilo que eles imaginaram em suas cabeças na leitura se materializa na tela. Exceto quando a coisa dá muito errado, para esses espectadores a surpresa vem na forma e não no conteúdo.

 

Um outro prisma é o de quem não leu os originais e, por isso, tem na obra audiovisual seu primeiro contato com aquela história. Para essas pessoas, tudo é uma grande surpresa e é com este ponto de vista que analiso Devilman Crybaby, nova série japonesa de animação da Netflix, lançada mundialmente no último dia 5. 

 

Adaptada de uma série de obras do autor e ilustrador Go Nagai, Devilman Crybaby conta, em 10 episódios, a história do colegial Akira Fudo, um esforçado corredor que passa poucas e boas com os colegas do clube de atletismo da escola por sua atuação sempre mediana. Akira também se ressente de ser uma espécie de bebê chorão. Com empatia acima da média, o rapaz se compadece fácil das dores alheias. E chora.

 

Seus pais são médicos que viajam mundo afora e, por isso, ele vive sob os cuidados da família Makimoto. Akira divide teto justamente com a menina que ama, Miki, exímia corredora admirada por toda a escola, sempre assediada por produtores mal intencionados que desejam fotografá-la em poses sensuais.

 

Num belo dia, retornando da escola, Akira se reencontra com um ex-colega de infância, Ryo Asuka, um adolescente prodígio que conta ter se transformado num bem sucedido pesquisador nos Estados Unidos. Num rolê em seu super carro, Ryo conta a Akira que o mundo está povoado por demônios e leva o amigo para uma festa hedonística, onde sua real intenção é revelada: fazer com que Akira, com o bom coração que tem, seja possuído por um demônio. Assim, com o bom coração que tem, o rapaz poderia conservar sua boa índole enquanto teria a força e os poderes desses seres maléficos. Com um novo corpo, Akira consegue ser mais forte e mais veloz mas sua vida vira de cabeça para baixo.

 

A história é conduzida sem medo de excessos pelo diretor Masaaki Yuasa e pelo roteirista Ichiro Okouchi. Orgias regadas a drogas, banhos de sangue, perversões e outras cenas aparentemente exageradas mas muito bem encaixadas no contexto da série, convivem bem com momentos singelos e de forte carga emocional. Além disso, os personagens principais bem construídos ajudam a tornar toda a história muito mais interessante do que as cenas carregadas nas tintas.

 

Sem se desviar dos protagonistas, preste atenção nas tramas paralelas. Destaco o grupo de rappers que frequentam a beira do rio, um dos cenários mais interessantes da trama. Como corifeus urbanos, eles pintam um quadro do cotidiano com letras afiadas e delicadas, muito distantes do rap japonês mais meloso e comercial. Pequenas pérolas.

 

Com cenas fortes, ação de tirar o fôlego e emoção sem pieguismo, a série conseguiu respeito dos fãs dos originais ao mesmo tempo que arrebata aqueles que não estavam familiarizados com a trama. Sendo assim, Devilman Crybaby vai ser, provavelmente, a melhor atração japonesa que você vai ver este ano na Netflix. Isso, claro, se não for um bebê chorão. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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