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Nova temporada de Terrace House já começou no Japão e a gente assistiu...

06.01.2018

 

Não, eu não sou fã da franquia Terrace House e minha praia de reality shows é meramente culinária. Acontece que a série é um dos maiores sucessos japoneses do Netflix, inclusive no Brasil. Por isso, decidi dar uma espiada na 'casa mais vigiada do Japão'. Se você, como eu, não tava por dentro do reality, não se sinta culpado. A ideia é bem simples: colocar seis jovens numa casa fora do alcance da maioria dos japoneses e deixar a coisa acontecer. Eles ficam lá morando juntos e é isso. Para completar, a produção escolhe uns tiozão e umas tiazinha (e dois novinhos só para não pegar muito mal) que ficam num estúdio assistindo aos VTs e falando mal da molecada de bochecha rosadinha que mora na casa.

 

Sim, tirando os comentadores de estúdio, a premissa não é nova. Basta ver o sucesso mundial que faz a franquia Big Brother ou o The Real World da MTV americana. Acontece que o Japão não é terreno muito fértil para reality shows. A ideia de dar uma espiadinha na vida dos outros pela TV não teve tanto apelo por aqui. Por isso, o sucesso japonês de Terrace House é até surpreendente. A série teve diversas fases e está agora, por assim dizer, na sua quarta encarnação que ganhou o sugestivo nome de Opening New Doors.

 

Depois de passar boa parte de sua existência em Tóquio — e uma temporada no Havaí —, a série monta a sua casa-cenário em Karuizawa, na província de Nagano, região central do Japão. A cidade, localizada no sopé do Monte Asama, um vulcão ativo, é conhecida pelas belas paisagens e pelo frio. O local também é um paraíso para atividades a céu aberto, um escape perfeito para quando a situação indoor ficar muito chata. Não que isso importe agora. O foco é, sem dúvida, a casa.

 

Antes de mais nada é preciso dizer uma verdade inconveniente: por vários motivos, os japoneses moram mal. Isso é um assunto para uma reportagem longa mas, por hora, é bom saber que as casas japonesas de hoje em dia são pequenas, mal climatizadas, mal iluminadas e têm tantos outros 'males' que nem vale a pena discorrer sobre eles. Então, existe um fetiche enorme de "casa", em especial entre a classe média urbana do país.

 

Por isso, uma casa como a do programa — grande, arejada, devassada, ocidental — já é um atrativo. Da cozinhas aos quartos compartilhados, é tanto espaço que a gente sente vontade de esticar as pernas para dentro da tela da TV ou do computador. A mesa da sala de jantar é um espetáculo. E, tesão dos tesões, o ofurô de água termal natural é um desbunde, com janela de vidro que permite apreciar o jardim na hora do banho. Ai...

 

O elenco enxuto é um diferencial do programa. São apenas seis participantes que podem entrar e sair da casa a qualquer momento. Os personagens não estão confinados e não são obrigados a ficar até o final da temporada. Isso é bacana porque ninguém está ali, num primeiro momento, precisando agradar o público para garantir o café da manhã do dia seguinte. Também não há prêmio, além da exposição. Então, não tem estratégia de jogo e, com isso, fica até mais fácil se aproximar dos personagens.

 

Para esta edição, os moradores iniciais — três mulheres e três homens — são a universitária Ami (20 anos), o aspirante a cozinheiro Yuudai (19), a escritora e tradutora Mizuki (26), o atleta de snowboard  e atendente de bar Takayuki (31), a jogadora de hóquei no gelo Tsubasa (24) e o modelo Shion (22). Com esse elenco, a ideia da produção é criar aquele ambiente meio bobinho de meninos versus meninas. Daí, nos quartos, são os homens falando sobre qual das minas é a mais bonitinha e as meninas, sobre qual dos boys é menos sapo. Honestamente: chato.

 

Cada episódio tem mais ou menos 30 minutos e foca na semana dos participantes na casa. Não tem muita ação. Como não há provas e os personagens precisam trabalhar, a edição corre lenta e focada no conversê. Aliás, é muito bate-papo que piora porque a maioria dos participantes ainda não mostrou muito carisma. Isso, provavelmente por conta de uma direção pouco criativa e de uma edição que decidiu criar tensão forçando a barra na ideia dos possíveis relacionamentos afetivos que possam surgir entre os participantes.

 

Mas tem uma exceção: Tsubasa. É até incoerente que ela seja a personagem que mais se mostrou interessante até agora já que, a bem da verdade, a moça foi a que menos apareceu nos dois primeiros episódios. Tsubasa entrou no programa com o intuito de dar visibilidade ao hóquei no gelo feminino. Ela sai cedo e volta tarde. Entre os treinos e o bico que faz na academia, a jovem parece ser a única que efetivamente trabalha. Para a nossa alegria, o terceiro episódio, 'Captain Tsubasa', é praticamente todo dela. Conhecemos seu pai e um pouco mais de sua relação com o esporte que pratica. Além do sorriso cativante, Tsubasa é forte e cheia de nuances. Sem forçação de barra, é a participante mais realista.

 

Porém, não é justo omitir a figura mais falada desses primeiros episódios: Yuudai. O mais novinho dos participantes chega a assustar de tão sincero. O rapaz está em crise existencial. Abandonou a escola de gastronomia, foi chutado pela namorada, a avó o inscreveu no programa, ele não quer decepcionar a família... Yuudai sofre. E, pelo visto, não vai ser pouco já que a aparente fragilidade do rapaz foi notada pelos demais participantes. Ao que parece Shion e, principalmente, Ami vão tirar vantagem disso. Pode estar nele um outro polo para abordar questões que realmente interessam sobre os jovens japoneses de hoje. Vamos ver.

 

Enfim, três episódios é muito pouco para avaliar um reality que costuma se alongar. A temporada anterior, Aloha State, teve 36 episódios divididos em 4 partes. Como o programa vai ao ar ao mesmo tempo na TV aberta e na Netflix, a temporada inteira não cai na rede de uma só vez. Então, só resta esperar. No mais, bem... A menos que a coisa tome um rumo bem mais interessante — como foi o do episódio focado na Tsubasa — ou que o Monte Asama entre em erupção, Terrace House: Opening New Doors será não mais que um reality em que coroas tiram sarro da garotada que fica lá dentro, perdida, como se não tivesse nada para mais para mostrar do que o interesse amoroso no(a) colega do quarto ao lado. De certo modo, não deixa de ser um microcosmo do Japão, país no qual boa parte dos mais velhos acredita que os jovens só têm uma serventia: envelhecer. E, se continuar assim, honestamente a coisa mais interessante do programa vai ser a casa.

 

 

 

 

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