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Uma Surpresa Cristã num Templo Budista em Kyoto

30.12.2017

 

Xintoísmo e budismo são as religiões predominantes no Japão. Basta rodar por alguns minutos em qualquer cidade do país para encontrar um ou mais de seus templos ou santuários. Somente em Kyoto, antiga capital do Japão, são mais de 2000. E é justamente nesta cidade, conhecida como um dos principais polos das tradições japonesas, que se encontra uma relíquia cristã singela e muito pouco conhecida.

Localizado no distrito de Fushimi, no extremo sul da cidade, fica o Choken-ji, um pequeno templo budista, com paredes avermelhadas e frondosos Ginkgo biloba, a nogueira-japonesa, na entrada. Dedicado à Benzaiten, a deusa da beleza, das águas e das artes, o Choken-ji repousa às margens de um canal tributário do Rio Uji. No canto esquerdo do jardim do templo, existe uma lanterna de pedra que passa despercebida mesmo aos olhares mais atentos. Mas é ali que está um tesouro que conta um pouco da história dos cristãos no Japão. 

 


O cristianismo chegou no país no mesmo movimento que levou ao descobrimento e à ocupação da América — e do Brasil — pelos europeus. Missionários católicos desembarcaram ao Japão em 1540. Era um grupo padres jesuítas, dentre eles Francisco Xavier, hoje santificado. A religião floresceu e logo nos primeiros anos já tinha conquistado cerca de 100 mil fiéis, incluindo aí daimyōs, os temidos senhores feudais.

Acontece que, ao negar a existência de outros deuses e mexer com tradições antiquíssimas, os cristãos passaram a ser vistos como perigosos e, entre 1565 e 1620, diversos movimentos foram feitos para proibir o cristianismo no Japão. Nesse último ano, o xogunato Tokugawa conseguiu, finalmente banir a religião do país mas não dos corações de alguns fiéis que continuaram a praticar a fé em segredo. Eles entraram para a história como kakure kirishitan, ou seja, “os cristãos escondidos”.

Ao longo dos séculos, histórias dos kakure kirishitan vem emergindo e uma delas está tranquilamente guardada naquela lanterna de pedra no jardim do Choken-ji. Bem no sopé da lanterna está entalhada uma imagem que é facilmente identificável como sendo a de alguém fazendo uma prece. Segundo relatos históricos, a imagem é uma representação estilizada de Maria, a mãe de Jesus. Não podendo praticar sua religião em público, os kakure kirishitan escondiam sua fé em pequenos detalhes.

 


A Lanterna de Maria foi encontrada nos jardins de uma antiga casa de chá, Beni-ya, onde os poderosos, inclusive membros da Corte Imperial, costumavam se reunir. O local também possuía uma sala especial usada para reuniões secretas. A lanterna ficava justamente no jardim conectado a esta sala. Acredita-se que algum grupo de kakure kirishitan se encontrava no local e há uma razão para isso.

Fushimi atualmente é um distrito tranquilo e mais conhecido pela produção de saquês. Mas, no passado, a famosa água da região era usada para irrigar imensos campos de arroz e os rios por onde elas correm eram as rotas para a distribuição de inúmeros produtos da região. 

 

 

Antes da proibição do cristianismo, o local era o lar de um poderoso senhor feudal, Takayama Ukon, um samurai convertido, que abandonou seus privilégios na época da perseguição dos cristãos e terminou a vida exilado em Manila, nas Filipinas. Batizado, ele ganhou o nome de Justo. Dom Justo Takayama foi beatificado em 2017 e é o único beato samurai da história. É certo que, mesmo depois do exílio de Dom Justo Takayama, cristãos tenham continuado a praticar sua fé em Fushimi e a singela Lanterna de Maria é uma prova disso. 

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