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Japoneses elegem os melhores da música brasileira em 2017

26.12.2017

 

Alexandre Andrés & Rafael Martini 

imagem: Divulgação

 

Esqueça Anitta, música sertaneja, Pablo Vittar e funk santista. Para os japoneses, a lista dos melhores do ano passa distante das paradas de sucesso das rádios, dos vídeos mais visualizados no YouTube ou dos lacres mais comentados das redes sociais. Na Terra do Sol Nascente, artistas consagrados e conhecidos do grande público como Chico Buarque, Tribalistas e Mallu Magalhães dividem espaço com gente de pegada mais alternativa como Domenico Lancelotti e o veteraníssimo Arto Lindsay e nomes nem tão conhecidos do grande público como Renato Motha e Patrícia Lobato.

Há 22 anos, o programa “Saúde! Saudade” da emissora de rádio toquiota J-Wave e a revista Latina realizam o Brazilian Disku Daishō — algo como “Grande Prêmio do Disco Brasileiro” em tradução literal mas que ganhou o simpático título vintage em português de Disco de Ouro da Música Brasileira. O lance é uma premiação em que ouvintes do programa, leitores da revista e a crítica especializada selecionam os melhores álbuns de música brasileira lançados a cada ano.

Não é novidade para ninguém que a música brasileira tem boa reputação entre os japoneses. O “Saúde! Saudade”, por exemplo, é um programa que toca exclusivamente artistas do Brasil e do restante da América Latina e do Caribe desde 1988, na J-Wave, uma emissora FM comercial que está dentre as mais ouvidas de capital japonesa. Parceira da rádio na empreitada, a revista Latina tem o mesmo foco e ainda mais tempo de estrada: são 65 anos de história não apenas no mercado editorial mas, também, na produção de shows e na venda de discos e outros itens relacionados à música latino-americana. Mesmo que o mercado não esteja mais tão aquecido quanto no passado, shows de música brasileira de pequeno e médio portes continuam lotando e uma pequena legião de fãs ainda compra discos e participa de discussões calorosas sobre o tema. Além disso, a onipresença dos acordes malemolentes dos violões bossanovísticos nos restaurantes e shoppings centers de Tóquio é notado até pela fãs mais ardorosos de um bom batidão. Em outras palavras, delírios e arroubos nacionalistas a parte, existe um mercado, mesmo que de nicho, para a música popular brasileira no Japão. 

Muito além da bossa nova
No Brasil, existe um outro mito de que os japoneses ouvem basicamente bossa nova. De fato, o ritmo forjado nas cordas do violão por João Gilberto e popularizado pelo mundo por Tom Jobim não tem público mais cativo que o japonês. Tom e João são monstros sagrados entre os amantes de música brasileira no Japão. A premiação, inclusive, lembrou dos 90 anos de Jobim que praticamente passaram em branco no Brasil, se considerarmos a importância histórica do artista para a música brasileira. Violonista, produtor e arranjador, o japonês Goro Ito conquistou o segundo lugar nos votos dos ouvintes/leitores com o álbum-homenagem “Architect Jobim”.

 

Acontece que os japoneses sabem que a fila continua andando. Prova disso é o álbum que está no topo da lista dos ouvintes e leitores, “Tribalistas”, o retorno após um hiato de 15 anos do trio formado por Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. Aliás, o trabalho apareceu, ainda, entre os melhores de acordo com a crítica especializada, na quarta posição. O som pop adulto dos Tribalistas encontra ressonância em outros laureados nesta edição do prêmio. A medalha de prata da lista dos críticos, por exemplo, é ocupada por Mallu Magalhães e seu quarto álbum de estúdio, “Vem”. Alheios à polêmica em torno do clipe de “Você Não Presta”, acusado de racismo, os ouvintes/leitores cravaram o disco de Mallu na nona posição da sua lista.

 

 Mallu Magalhães

imagem: Divulgação


Nomes consagrados da MPB também foram lembrados, ainda que em menor quantidade do que a esperada, dado o sucesso que alguns nomes como Gil e Caetano fizeram e ainda fazem dentre os ouvintes de música brasileira no Japão. Monica Salmaso encabeça a lista da crítica com o seu “Caipira”. Joyce Moreno e sua releitura de Dorival Caymmi “Fiz Uma Viagem” foi lançado primeiramente no Japão e levou o quarto lugar de acordo com o público. “Sintetizamor”, novo trabalho de João Donato com seu filho Donatinho, aparece na quinta posição tanto da lista dos ouvintes/leitores quanto da dos críticos. Já Chico Buarque e seu “Caravanas” ficaram em sexto na seleção dos críticos.

Mas o que mais surpreende nas listas é o grande número de artistas fora do circuito mainstream da música no Brasil. E, claro, da ausência de artistas extremamente populares no país. Nomes bombados como Gusttavo Lima, Simone e Simaria, Marilia Mendonça e Wesley Safadão passam batidos por aqui. Mesmo artistas que se apresentaram recentemente no país como Munhoz e Mariano não acontecem entre os japoneses.

 

Ao incluir em usam listas nomes com hype como Domenico Lancelotti, Arto Lindsay e Silva, o super veterano multiinstrumentista Arthur Verocai e artistas menos badalados como André Mehmari, Renato Motha e Patrícia Lobato, Luiza Brina & O Liquidificador e Alexandre Andrés & Rafael Martini, os japoneses estão fazendo jus à fama de focados e detalhistas que lhes é atribuída. Os amantes da música brasileira no Japão parecem estar analisando a produção musical brasileira com uma lupa, debruçados em coisas bem distantes daquilo que acontece nas paradas musicais do nosso país. Ao magnificar obras que representam pontos praticamente obscuros do que se lança em disco hoje no país, os japoneses acabam, mesmo sem querer, jogando luz em artistas que talvez merecessem estar mais próximos do olhar (e dos ouvidos) do público brasileiro em geral.

 


Confira a lista completa dos premiados

Público (ouvintes do programa Saúde! Saudade e leitores da revista Latina)
1º) “Tribalistas”, Tribalistas
2º) “Architect Jobim”, Goro Ito Ensemble
3º) “Outro Som”, Dani Gurgel
4º) “Fiz Uma Viagem”, Joyce Moreno
5º) “Sintetizamor”, João Donato & Donatinho 

6º) “Cuidado Madame”, Arto Lindsay

7º) “Haru”, Alexandré Andrés & Rafael Martini

8º) “Caipi”, Kurt Rosenwinkel

9º) “Vem”, Mallu Magalhães

10º) “Serra dos Órgãos”, Domenico Lancelotti

 

Crítica

1º) “Caipira”, Monica Salmaso

2º) “Vem”, Mallu Magalhães

3º) “Silva Canta Marisa”, Silva

4º) “Tribalistas”, Tribalistas

5º) “Sintetizamor”, João Donato & Donatinho  

6º) “Caravanas”, Chico Buarque

7º) “Suíte Onírica”, Rafael Martini Sexteto e Orquestra Sinfônica Venezuela

8º) “Tão Tá”, Luiza Brina & O Liquidificador 

      “ Três no Samba”, André Mehmari, Eliane Fria & Gordinho do Surdo

10º) “Dois em Pessoa Vol. II”, Renato Motha e Patrícia Lobato

       “No Vôo do Urubu”, Arthur Verocai

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