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Primeira linha de metrô do Japão faz 90 anos

20.12.2017

 

 

Quem vê hoje o moderno, fluido e eficiente sistema metroviário de Tóquio não imagina que a capital japonesa foi uma das últimas metrópoles do mundo desenvolvido a ter uma linha de metrô. Lá pelos idos dos anos 1920, Tóquio já era uma das maiores aglomerações urbanas do mundo e o caos no transporte público, um grande problema.

 

Uma década antes, o empreendedor Noritsugu Hayakawa já conhecia a solução. Depois de anos estudando na Europa e nos Estados Unidos, ele entendeu que o transporte de passageiros em grandes cidades deveria ser ferroviário e passar por debaixo da terra.

 

O primeiro sistema de metrô do mundo surgiu em Londres em 1863. A novidade só desembarcaria em Tóquio 64 anos depois. O trajeto era curtinho: 2,2 km, de Ueno até Asakusa. Mas a novidade chamou a atenção dos toquiotas da época que faziam filas de até duas horas para um trajeto que leva cerca de 20 minutos a pé.

 

Mesmo com a depressão dos anos 30, a expansão do novo sistema continuou firme. De um lado, o então governo municipal de Tóquio construiu a parte que levou o centro financeiro da cidade até Shibuya. Do outro, a empresa de Hayakawa espichou o metrô de Ueno até o coração econômico da metrópole. Foi a junção dos dois empreendimentos que gerou a atual linha Ginza.

 

Marcada pela cor laranja e pela letra G, a Ginza é até hoje um dos mais importantes veios de circulação da capital japonesa. A via é a precursora de uma rede de metrô que conta com uma malha de 304,1 km distribuídos em 13 linhas que atendem a quase 9 milhões de passageiros por dia. Somente nos trens amarelinhos da Ginza trafegam cerca de 1,1 milhão deles. As composições, aliás, são novíssimas e foram projetadas a partir do design dos antigos trens que circulavam pela linha lá nos primórdios.

 

 

Conectando o baladíssimo distrito de Shibuya ao tradicionalíssimo bairro de Asakusa, a Ginza também é uma das linhas mais usadas para os rolês turísticos mais comuns de Tóquio.

 

Do Luxo à Tradição em 19 Paradas

Shibuya, o terminal na direção sul, é famoso pelo seu cruzamento que, nos horário de pico, é atravessado por cerca de mil pessoas a cada sinal. Também é um distrito com diversos bares, restaurantes, shopping centers e karaokês, incluindo aquele que foi cenário do filme Encontros e Desencontros (Lost In Translation/2003) da diretora Sofia Coppola. Na praça que fica bem na saída da estação, está a famosa estátua do Hachi, o cãozinho fiel que inspirou o filme Sempre ao Seu Lado (Hachiko: A Dog's Story/2009) com Richard Gere.

 

Shopping centers são parte da paisagem de Shibuya.

 

Logo ao lado, fica a estação de Omotesando, na avenida de mesmo nome, uma enorme "passarela" onde lojas das grifes mais caras do planeta, embaladas em prédios assinados por arquitetos igualmente badalados, servem de cenário para o presente e para o futuro da moda mundial. Em outras palavras, a avenida concebida para ser o caminho que leva ao Santuário Meiji — dedicado ao Imperador Meiji e à Imperatriz Shoken — se tornou o paraíso dos fashionistas de todo o planeta.

 

A Avenida Omotesando é toda iluminada no fim-do-ano.

 

Mais ou menos na metade do trajeto fica Ginza, o metro quadrado mais caro do Japão. Desenvolvido em torno do cruzamento das Avenidas Harumi e Chuo, o bairro é povoado de prédios com projetos assinados por escritórios de arquitetura famosos, lojas de grife e shopping centers. Em Ginza, ficam alguns dos restaurantes de culinária tradicional japonesa mais caros do país, dentre eles o três estrelas Michelin Sukiyabashi Jiro, retratado no elogiadíssimo documentário Jiro - Dreams of Sushi (2011). Restaurante tão sofisticado não está ali somente pelo hype. A pouco mais de 10 minutos de caminhada de Ginza fica o Mercado de Tsukiji que distribui peixe fresco para várias partes da metrópole e atrai turistas do mundo inteiro.

 

Luzes e prédios altos são as marcas de Ginza.

 

Já quase no final da linha, na direção norte, fica Ueno. O bairro é o lar de um dos parques mais visitados da cidade. Palco de uma das batalhas que ajudou a derrubar o xogunato, o Parque Ueno fazia parte do Templo Kan-ei, do qual um dos únicos remanescentes é a pagoda de cinco andares datada do século 17. O parque tem 8800 árvores e é um dos principais pontos de atração na época do hanami, a floração das cerejeiras que rola dentre o final de março e o início de abril. O local também abriga um jardim zoológico, o Museu Nacional da História Natural e Sociedade, o Museu Nacional de Arte Ocidental (projetado pelo franco-suíço Le Corbusier) dentre outros espaços culturais e acadêmicos. Não muito distante do parque fica o Ameya-yokocho, um mercadão popular cheio de restaurantes, quitandas e lojas de roupas.

 

O Lago Shinobazu, coberto por plantas secas, fica no Parque de Ueno.

 

O terminal Asakusa, já no norte da metrópole, abriga o Senso-ji, o mais antigo templo budista de Tóquio. Marcado pela cor vermelha já desde sua principal entrada, o Kaminarimon ou Portal do Trovão, o templo é visitado por mais de 30 milhões de pessoas por ano. Para chegar ao prédio principal, os visitantes atravessam a Nakamise, uma pequena rua de comércio com lojinhas tradicionais. Um segundo portal e uma bela pagoda também fazem parte do complexo. Antes de subir a escadaria do templo, os fiéis se energizam no incensário e se purificam no temizuya, um tanque específico para a lavagem das mãos e da boca. No entorno do templo, ficam diversas lojas e restaurantes, grande parte deles com itens que são uma viagem no tempo, em especial ao Período Showa (1926 - 1989), a era nostálgica para boa parte dos japoneses. O Rio Sumida e seu parque de cerejeiras e a rua de artigos de cozinha Kappabashi também atraem muitos turistas.

 

O Kaminarimon, ou Portal do Trovão, é a porta principal de entrada do Senso-ji.

 

É difícil pensar numa outra linha de metrô em Tóquio que conecte tantas áreas especiais da cidade quanto a Ginza. Não é à toa que os toquiotas estão celebrando com pompa e circustância o aniversário da sua linha de metrô mais antiga e mais charmosa.

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