Uma homenagem musical no Dia da Imigração Japonesa


Japão com uma pitada de Brasil e muito otimismo. É assim que podemos resumir a singela homenagem realizada por um grupo de amigos para celebrar o Dia da Imigração Japonesa, celebrado no Brasil no dia 18 de junho. Rodrigo Fujita e Lili Mizumoto são nikkeis — descendentes de japoneses — e se inspiraram nas inúmeras versões que assistiram na internet da canção Ue wo muite arukou, um clássico da música popular japonesa. Eles compartilharam a ideia com o casal musical Grace Okamoto e Iuri Salvagnini.


"Eu, o Iuri e a Lili trabalhamos juntos na realização do CD Wa – Cirandas e cantigas", conta Grace. O álbum traz nomes de peso como Cida Moreira, Claudya, Helio Flandres e a portuguesa Maria de Medeiros cantando em japonês. "A Lili e o Rodrigo imaginaram que, com o talento musical do Iuri somado à rede de amigos que giram ao nosso entorno, seria possível realizar algo simples, oferecendo beleza e otimismo neste momento tão único que vivemos", continua ela.


Ue wo muite arukou é considerada uma das canções pop japonesas de maior sucesso de todos os tempos. Lançada em 1961 pelo cantor Kyu Sakamoto, foi a música do ano, tendo ficado no topo das paradas do Japão por cerca de três meses. "Caminhe olhando para o céu/para que as lágrimas não escorram", diz a letra fala de estratégias para lidar com a tristeza.


Lançada no exterior com o estranho título de Sukiyaki, retirado de um prato japonês feito com carnes e legumes, a canção também arrebatou as paradas mundiais, chegando a figurar no primeiro lugar do Top 100 da Billboard, nos Estados Unidos. Foi a primeira música em uma língua não europeia a conseguir o feito e a única até 2012, quando a coreana Gangnam Style também chegou ao número 1. No total, Ue wo muite arukou vendeu mais de 13 milhões de cópias mundo a fora.


Criador dos arranjos, Iuri Salvagnini foi quem teve a ideia de incorporar à releitura uma música brasileira que fala de esperança e otimismo, Andar com fé, clássico do mestre Gilberto Gil. "Foi uma grande surpresa para todos", conta Lili Mizumoto. "É interessante pensar que duas músicas que nasceram em lugares opostos do mundo, podem trazer em suas palavras força e otimismo, cada um dentro da sua sonoridade e ritmo", continua ela.


A partir daí, o grupo começou a recrutar pessoas próximas, descendentes de japoneses e gente que estabeleceu alguma relação especial com o Japão. "Quando nos deparamos com os vídeos que recebemos, vimos que era uma amostra da diversidade que compõe o nosso país", conta Lili. "Independente de ancestralidade, todos estavam ali oferecendo sua voz e o seu talento musical para passar uma mensagem de otimismo", reflete ela.


18 de junho de 1908 foi a data de chegada ao Brasil do primeiro navio com imigrantes do Japão. Neste dia, o Kasato Maru (lê-se "kassato maru") atracou no Porto de Santos com 781 japoneses e japonesas. Foi uma viagem de 52 dias, partindo de Kobe no centro do Japão, onde havia um centro de recrutamento e treinamento de pessoas interessadas em trabalhar vida fora do país. 112 anos depois, o Brasil é o país com a maior colônia de origem japonesa do mundo, um legado que merece as nossas homenagens. Confira o vídeo de Ue wo muite arukou/Andar com fé.


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