Hitotachi - Um rango com Hideki Uehara


Quando assisto aos vídeos do Go Han Go, sinto como se uma lufada de ar jovem tivesse soprando no chatíssimo mundo da gastronomia online. Quem aguenta ver mais amadores brincando de fazer comida na TV, mesmo estando na internet? Acontece que o Go Han Go entrou na brincadeira para fazer diferente. Cinco jovens com muita criatividade na frente de uma câmera e atrás do fogão, com as zoeiras particulares da idade, a estética da internet e um diferencial essencial: a origem oriental. Ver a figura dessa galera na tela é representatividade e o mais legal disso é que é tudo eito de forma consciente, para marcar presença e conquistar espaço. Assim, o Go Han Go fala — mesmo quando não usa palavras — sobre muito mais do que "comida". Essa galera fala sobre ancestralidade, existência, diversidade e afetos.


Do povo que faz parte do coletivo, só tive a sorte de conhecer pessoalmente o Hideki. Ele é o tipo de pessoa com a qual, se eu morasse em São Paulo, ia viver esbarrando. Primeiro, porque o cara trabalha no Tamashii Ramen, do chef Mark Veen, local em que eu bateria ponto quase que diariamente se estivesse na Pauliceia Desvairada. Em segundo lugar porque frequentaríamos muitos dos mesmos restaurantes. Aliás, esse encontro casual aconteceu e foi em janeiro deste ano no JojoLab, outro lugar que capturou meu estômago. Por isso, achei que deveria convidá-lo para responder às perguntas non sense dessa coluna Hitotachi. Deixo vocês, então, com o meu companheiro de hashi. Aproveitem a companhia.


Quem é você na fila do lámen? Bom, eu também queria saber, hein? Quem raios eu sou na fila do lámen? Haha. Brincadeiras à parte, me chamo Hideki Uehara, tenho 24 anos e uma coisa é fato: eu sou APAIXONADO por lámen! Esse amor cresceu quando comecei a trabalhar em um restaurante japonês em 2015 e lá tive uma conexão enorme com o lámen. O amor era tanto que quis entender mais. Fui auto-didata para aprender mais e mais e o amor só foi crescendo! Trabalhei por um tempo nas maiores casas de lámen de São Paulo e hoje trabalho em uma que, opinião pessoal minha, é a melhor casa de lámen de SP, o Tamashii Ramen. Onde você está se escondendo? Sou de São Paulo, SP. Qual a onda que você está criando no momento? Eu e uns amigos percebemos a falta de informação, de conteúdo de qualidade e representatividade da gastronomia asiática na internet. E, também, como a visão do brasileiro é extremamente rasa em relação a comidas asiáticas no geral. Um bom exemplo disso é resumir uma cultura e uma gastronomia tão rica como a japonesa a peixe cru.

Por conta disso, criamos conteúdos em um projeto pessoal chamado Go Han Go [@GoHanGoSocial no Instagram e GoHanPlz no Tiktok], onde visamos desmistificar os estereótipos da gastronomia asiática com um formato de vídeos rápidos, simples e com humor.


Que tipo de coisa é capaz de te tirar da tua concha? Com certeza, a maravilhosa combinação de BC: boas companhias, boas comidas e boas conversas. Hahaha! Acho que a melhor parte de uma conversa é quando se entra em coisas relacionadas à comida, às formas de enxergar a vida ou, a minha favorita, ouvir alguém falar sobre algo que ama e/ou sonha para à vida. Ver os olhos da pessoa brilharem com a verdadeira chama do que a faz feliz, essa hora, acho que é a melhor parte de uma conversa! O que te faz chorar um litro de lágrimas? Admito que eu sou FRAQUÍSSIMO com filmes e animações, principalmente as que falam sobre amor ou sobre o árduo esforço de alguém que foi reconhecido. Acho que essas temáticas sempre pegam muito nos meus frágeis sentimentos. Hahahaha.

Claro, alguém que cresceu assistindo shoujos [estilo de animês e mangás criado para meninas adolescentes] e doramas [novelas japonesas] e olha, não é que tem referência aí, hein? Ichi Ritoru No Namida [novela japonesa a qual a pergunta faz refeência]! fica fragilizado com histórias assim. E ai vai uma ótima recomendação: assistam Kimi no na wa e chorem um litro de lágrimas também! Qual foi o último sonho de que você se recorda? Em dias assim, de quarentena, com toda certeza os meus sonhos sempre são de acordar e ver que todo o cenário caótico de 2020 é pura mentira e que nós nunca elegemos realmente quem está no poder! Vixi!

O que você levaria para uma estadia na Terrace House? Primeiramente, esse é totalmente o MEU SONHO poder participar de Terrace House, meu deus!!! Mas, levando a sério, talvez eu não saiba se a resposta correta para mim são coisas materiais mas, sim, que energia eu levaria para lá ou que sentimento. Pois, para mim e para a grande parte dos participantes, eu levaria uma enorme vontade de aprender, de enxergar quem eu sou de verdade. E, não menos importante, boas energias para todos! (Off topic: Eu tentaria ser como o Hansan de Terrace House: Boys & Girls in the City. Ele me inspirou muito dentro do programa e ainda me inspira muito como pessoa em si bem como no seu cotidiano.) O que te tira do zen? Com certeza, pessoas que são mal educadas e ignorantes. Nossa, isso real me tira do sério. Não vou nem entrar em detalhes, porque se não eu surto aqui. HAHAHA! Qual é a coisa mais Japão que você possui? Com certeza as lembranças. Ter tido a oportunidade de ter ido para lá trabalhar por apenas 3 meses foi o suficiente para mudar minha percepção de muitas coisas. A visão que possuo atualmente do Japão está mais real. Coisas que adorava no país se tornaram ainda mais importantes e coisas que eu nem sabia que poderiam acontecer, me decepcionaram muito. Com isso, acho que a importância é ter entendido que gostar de algo real, é entender os seus pontos positivos e negativos e, ainda assim, ter um sentimento bom por aquilo. Me diz uma coisa que ninguém pode saber. 👀!!! Como assim? Haha. Deixa eu pensar aqui… Eu amo lámen demais, demais, demais! Mas tem dias que eu prefiro MUITO MAIS comer um miojo mesmo, feito assim, meio podrão mesmo (tipo baixa qualidade e bem “rasgueira”). Eu sei que rola muito uma comparação entre miojo e lámen mas, nossa! Não sei! Eu amo os dois com a mesma energia! Hahahahaaha.

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