Hitotachi - O caminho de Piti Koshimura


Sou péssimo em me lembrar do dia em que conheci as pessoas. Sou muito apegado ao presente, o que eu adoro, mas isso atrapalha demais as minhas memórias. Até costumo dizer que o bom amigo é aquele que não te deixa esquecer o que você fez no passado. Enfim, tudo isso para dizer que eu não me lembro do dia em que eu encontrei a Piti Koshimura pela primeira vez.


Estou certo, porém, de que foi amor à primeira vista. Pelo menos da minha parte. E não demorou muito para que essa impressão inicial se tornasse uma profunda admiração. Quem me acompanha com frequência sabe que a Piti Koshimura é presença constante na minha vida profissional e pessoal. Ela se tornou uma referência de produção de conteúdo de qualidade, de paixão e de foco. Basta ver o Peach no Japão, em suas três encarnações (blog, Instagram e podcast), para saber o que eu estou dizendo. Além disso, ela é uma das minhas melhores amigas no Japão.


Posso dizer que é graças ao incentivo permanente que recebo da Piti que vocês estão lendo este site novamente, depois de meses largado ao ostracismo. Quando eu penso que um projeto não é legal ou importante, lá vem a Piti apontando as qualidades da minha ideia e me enchendo de coragem e incentivo. Só posso ser grato por ter por perto uma pessoa com vontade de crescer e, ao mesmo tempo, de (e)levar consigo sua turma. Agregadora e positiva, a Piti é aquela pessoa essencial na vida. Deixo vocês, então, com a convidada de hoje. Aproveitem a companhia.


Quem é você na fila do lámen?

Sou o tipo de pessoa que tem sempre muita dificuldade para preencher o campo "profissão" em formulários. Mas uma coisa já adianto: não sou arquiteta, diferente do que muitos pensam! Quando quero facilitar a vida, escrevo que sou publicitária, que é a minha formação mas, na realidade, acabei indo para uma área mais na "difusão e curadoria" de conhecimento. (Haha! Acabei de inventar isso.)


Sou autora do blog Peach no Japão, criadora de conteúdo, atuo como consultora de projetos ligados à cultura japonesa e, também, como consultora de viagens, faço palestras, pesquisas e, mais recentemente, comecei a conduzir aulas online sobre o Japão.  

Onde você está se escondendo?

Em Tóquio, mais precisamente no bairro de Ebisu, terra da cerveja de mesmo nome. Mas se você me fizer essa pergunta daqui um ano ou mesmo daqui a uns seis meses, a resposta pode mudar. Sou meio nômade e tento fazer caber meus pertences numa mala de viagem... Tá bom, vai... Duas ;).

Qual a onda que você está criando no momento?

Tenho amado conduzir os grupos de estudo sobre cultura japonesa e estou com ideias de novos módulos. Penso em lançar um sobre arte e arquitetura contemporânea japonesa, dois assuntos que adoro, e outro sobre história, principalmente sobre o período da transição do Período Edo para o Período Meiji e as mudanças do pós-guerra. Então tenho estudado e pesquisado para me aprofundar mais nesses assuntos.

Que tipo de coisa é capaz de te tirar da tua concha?

Posso ser clichê? Essa pandemia fez com que eu me mexesse mais. Sou autônoma e o turismo vinha sendo minha principal fonte de renda até poucos meses atrás. Quando comecei a receber um cancelamento atrás do outro até, eventualmente, o Japão fechar as fronteiras, foi desesperador. Mas tentei me manter positiva e encarar isso como uma oportunidade para criar conteúdos e serviços que estivessem mais ligados à cultura, que sempre foi a base do Peach no Japão. Daí veio o podcast e também a ideia de montar grupos para conduzir as aulas de cultura japonesa. E, olha, tem sido gratificante ver que as pessoas estão interessadas no que eu tenho a falar.

O que te faz chorar um litro de lágrimas?

Filmes japoneses que falam de laços familiares. Quando assisto longe da minha família, então, é terrível. Chorei horrores ao fim de Nossa Irmã Mais Nova, do [Hirokazu] Koreeda, que assisti quando morava na França e, também, com Era uma Vez em Tóquio, do Ozu, que vi quando morei em Tóquio pela primeira vez.

Qual foi o último sonho de que você se recorda?

Sonhei que saí na rua sem máscara e foi horrível! Me senti tensa durante todo o sonho ,do qual eu não lembro muito bem pois tenho memória ruim para sonhos.

O que você levaria para uma estadia na Terrace House?

Levaria um psicólogo a tiracolo pra oferecer suporte emocional pra galera.

O que te tira do zen?

No geral, tenho uma relação excelente com o pessoal que me acompanha no Insta. 40% dos seguidores são homens e fico feliz de ter um diálogo muito bacana com eles. Mas quando ficam martelando demais no "linda, maravilhosa, casa comigo" e se eu vejo uma abertura para diálogo, eu dou um toque pro cara e falo que meu objetivo é focar no conteúdo. E isso geralmente tem resultados. Eles começam a comentar mais sobre o conteúdo e eu não me sinto incomodada.


Mas, outro dia, recebi uma mensagem tão baixo nível, mas tão baixo nível, que me fez querer passar o dia offline. No caso desse comentário, pensei se seria o caso de ter essa "conversa", mas não quis. Não quis trocar ideia com uma pessoa tão nojenta. Ele sabia que o que estava me falando era inapropriado pois chegou a falar isso na mensagem. E ainda assim me mandou. Bloqueei. 


Rapidamente, passou pela minha cabeça se eu deveria me expor menos. Fiquei chocada, chateada, p*#@ da vida, mesmo. Mas o problema dessa agressão é dos caras, não é meu. Eu não tenho que deixar de fazer minhas coisas e me policiar toda hora para ver se estou me "expondo demais". São os homens que precisam passar por uma reeducação.


Qual é a coisa mais Japão que você possui?

Essa resposta poderia entrar na pergunta seguinte porque é até um pouco embaraçoso mas, às vezes, minha compreensão é bem literal e não pego certas ironias ou piadas, principalmente quando é por mensagem. Me sinto muito japonesa quando isso acontece! Haha!

Me diz uma coisa que ninguém pode saber.

Tenho uma memória péssima para fisionomia de pessoas que acabei de conhecer. Ruim mesmo, a ponto de fazer um pedido para um garçom e não lembrar mais para quem eu pedi. Ou, ainda, sair de uma reunião de uma hora e não lembrar se a pessoa com quem falei tinha cabelo grisalho ou castanho. Pelo menos, hoje em dia fica fácil de dar uma checada nas redes sociais pra não cometer nenhuma gafe. 

Sem relação com a entrevista, só como registro, fica um dos vídeos que produzi com a Piti Koshimura aqui em Tóquio.

06:25 | Comidas de rua em Asakusa, com Piti Koshimura e Wallace Morita

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